11 ROUNDS

Lorena Campos

Last week, between the reading of “Women, Myths and Goddesses”, by Martha Robles, I concluded reading the book “11 Rounds,” by writer and journalist Maurício Ângelo. I chose to read the two books together. In one, the universe of the classical goddess; in the other, the ambiguities of contemporary women. But “11 Rounds” has some remnant of the female goddesses, the femininity through time. In several short stories, the reading of “11 Rounds” transports us into a scenario in which women are now both goddesses and complex, sometimes aggressive and perverse.

Lorena Campos

cleardot.gifAre you curious? The book “11 Rounds” is available in Portuguese for download. It is worth reading each page and, in fact, the preface is a prime. The text is signed by Jorge Rocha and defines the soul and some scars of the book by Maurício Ângelo. After checking the preface (below) I’m sure you’ll run for download, even if it’s just to train your Portuguese.

Lorena Campos

PORQUE TUDO É DOR, MEU CHAPA

Se você já socou paredes, no auge da irritação, para extravasar – em algo e não em alguém – uma fúria resultante de indignação ou decepção, se passou horas aturdido com a estupidez humana a ponto de ter vergonha por estar acordado, se já olhou para o espelho querendo encontrar alguma resposta, justamente por não saber mais para onde olhar, então eu posso afirmar que esse livro encontrou um leitor à altura. Maurício Angelo é um exemplar cada vez mais raro nos dias deste tal de século XXI: alguém que sabe como cultivar angústias existenciais como combustível. Ou, dizendo isso de uma forma mais simples e direta: ele sabe que é preciso andar, só porque é difícil.

Conhecendo então esta faceta da personalidade dele – a qual dou ciência e atesto –, fica mais fácil antever o que se pode esperar de 11 rounds. Fruto direto e inequívoco de um cérebro e coração ágeis, esse livro é uma lição de auto avaliação de quem sabe que Literatura é bílis. E não se trata de literatura confessional ou escrita umbiguista – se você está predisposto a fazer esta consideração, é melhor então parar a leitura agora, fechar esse livro e ir procurar o best-seller açucarado do momento. Se o que te interessa é facilidade, então aqui não é seu lugar, esse não é um livro para você.

Ainda aqui? Então aguente: em 11 rounds, além de indignação e fúrias existenciais, é mais que notável uma presença feminina forte por excelência, seja catalisando ou catapultando as ações e motivações dos personagens centrais. Enquanto alguns escritores contam com musas inspiradoras, Maurício Angelo tem sparrings de sexo nada frágil. Não temos aqui A mulher ou UMA mulher, mas sim representações de figuras femininas que simbolizam e metastizam a forma do autor de ver a vida, assim como evidenciam seus pontos de vista acerca da sordidez humana cotidiana.

Aqui nesse livro, podemos dar de cara com döppelgangers de ringues emocionais, que se encarregam de traduzir o mundo sob uma ótica realmente cética e nada parcial, por considerar que todo ser humano carrega em si, sem ter o que fazer para evitar, os genes de autodestruição. Claro, há uma intencionalidade central por trás de todos os contos aqui reunidos e eu já estrago a surpresa ao dizer que se trata de fazer com que uma mixórdia de sentimentos acerca do que há de mais real no ser humano caiba em uma interpretação satisfatória. Para quem? Ah, essa pergunta não merece ser respondida.

Autores como Maurício Angelo sempre querem algo grandioso, mas o mundo ao redor parece não corresponder a essa vontade. Então, “projeções” parecem ser a forma mais rápida de fazer com que algumas ideias e convicções se encaixem. E, se é possível fazer uma analogia com artes marciais, digo que esse livro se assemelha – ah, projeções … – ao instante em que, no meio de um combate, uma ideia avassaladora sobre o que é certo e errado chacoalha sua cabeça, reverberando ali durante três segundos. Tempo suficiente para ser acertado por um golpe cretino e beira a inconsciência, fazendo com que a ideia se apague e reste apenas um gritante instinto de sobrevivência.

E daí, só cabe reação. (Jorge Rocha, Julho/2015)

Lorena Campos

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